terça-feira, 21 de abril de 2009

L'Etranger

O Estrangeiro é meu livro preferido no mundo. Ele está longe de ser o mais bem escrito de todos os tempos, o enredo não é o mais interessante da literatura e, por deus, os personagens não cativam nem de longe. Mesmo assim é meu livro preferido.
Alex Castro escreveu uma resenha bastante interessante e, pelo menos para mim, inovadora sobre o livro, vale a pena dar uma olhada clicando aqui. De acordo com esse resenhista, Meursault engana a todos nós, fazendo-nos passar para o lado dele injustamente. Pois bem, qualquer um que conheça minimamente o protagonista de O Estrangeiro sabe que isso é simplesmente impossível. Quer dizer, aquele personagem jamais convenceria ninguém a nada pelo mero fato de ser uma criatuva desprezível!
O que acontece então? Como um indivíduo tão insosso é capaz de convencer a maioria absoluta dos leitores da sua inocência(mesmo quando todos sabemos que ele é totalmente culpado do seu crime)?
Uma hipótese que poderia ser levantada é a de que as opiniões, se é que pode se falar em opiniões quando se refere a Meursault, do personagem são as mesmas do autor, e portanto esse apresenta toda a trama de forma a favorecer seu ponto de vista. Mas isso também não é verdade! O escritor argelino morreu tentando provar a existência do fato moral, enquanto a moral é uma questão completamente alienígena ao universo de O Estrangeiro.
Parece cada vez mais provável que não há nada intrínseco à obra que justifique a absolvição do protagonista. No fim das contas ninguém é enganado por Meursault ou pela narrativa camusiana.
É mais aceitável pensar que, a cada página, nos identificamos com ele. Sentimos o vazio de sua existência e reconhecemo-nos nesse vazio. Sabemos que não somos melhores do que ele e, em última instância, nos julgamos completamente inocentes, de forma que acusar Meursault nos obrigaria a assumir a nossa própria culpa.

domingo, 4 de janeiro de 2009

Ano novo, coisa e lousa

Grandes!
Explicando o título(para não dar margem a duplas interpretações); eu sempre tive a sensação de ser um cara a frente do meu tempo. Por outro lado minha cabeça sempre teve o hábito de me pregar peças, motivo pelo qual eu evito, sempre que posso, dar ouvidos às coisas que ela diz. O fato é que ela estava certa o tempo todo! Mas ao invés de estar 10, 20 ou 50 anos, eu estou, tipo, alguns meses adiantado.
O lado bom: eu consigo conviver relativamente bem com as outras pessoas.
O lado ruim: eu faço tudo certo com uma antecedência inconveniente.